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quinta-feira, 10 de maio de 2018

A BENEFICÊNCIA (E.S.E. CAP. XIII - itens 11 a 16)

Segue abaixo transcrição de palestra de 15 minutos que ministrei na Associação Espírita Humberto de Campos, Canoas - RS, no dia 08/05/2018.
Boa noite a todos. Que a paz do Cristo se faça presente. 

Bem, meus amigos, hoje o tema de nosso estudo é A BENEFICÊNCIA, contido no Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo 13: Que a vossa mão esquerda não saiba o que dá a vossa mão direita – São os itens 11 a 16, para quem quiser estudar mais depois. 

Este tema nos fala muito sobre o que é a verdadeira caridade, porque não a fazemos como se deveria, o que podemos fazer para melhorar e porque devemos fazer a caridade. 

E é aqui que devemos parar para pensar um pouco mais: no por quê das coisas. Será que todos que se dizem Cristãos (seja espírita, católico, evangélico ou da denominação que for), será que todos sabem dizer o que Jesus veio fazer na Terra? Você sabe? Normalmente as pessoas dizem que Jesus veio para lavar os nossos pecados, mas nós continuamos pecando... então não deve ser bem isso. Outros dizem que ele veio trazer a mensagem de amor; certo, isso parece mais interessante, mas então porquê ele veio trazer uma mensagem de amor? Qual a finalidade dessa mensagem? É a nessa questão que se encontra o real sentido da vinda do Cristo à Terra. 

O “evangelho” ou “boa nova” de Jesus é a promessa do Reino dos Céus, ou seja, um lugar de pura felicidade, onde não há qualquer tipo de sofrimento. E, mais do que isso, ele veio nos trazer, através dos seus ensinamentos, um código de conduta para construirmos o Reino dos Céus aqui na Terra e encontrarmos a felicidade aqui. 

Quando Jesus diz que “fora da caridade não há salvação” ele quer nos dizer que somente através de atos de amor é que vamos encontrar a felicidade, porque a Caridade é isso, é o amor em movimento. 

Mas como ainda somos tão imaturos para assimilar e praticar o amor em sua plenitude, Jesus se preocupou em nos mostrar que devemos tomar cuidados ao praticar a sua lei de amor, para que estejamos realmente fazendo o bem ao próximo e não apenas alimentando o nosso egoísmo e a nossa vaidade. Porque dessa maneira, nós não evoluímos. 

Está lá no Evangelho de São Mateus: 

Tomai cuidado de não fazer vossas boas obras diante dos homens para serem vistas por eles, de outro modo não recebereis a recompensa de vosso Pai que está nos céus. Então, quando derdes esmolas, não façais soar trombeta diante de vós, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem honrados pelos homens. Eu vos digo em verdade, que receberam sua recompensa. Mas quando derdes esmola, que a vossa mão esquerda não saiba o que dá a vossa mão direita; a fim de que a esmola esteja em segredo; e vosso Pai que vê o que se passa em segredo, dela vos entregará a recompensa. (São Mateus, cap. VI, v. de 1 a 4). 

A Doutrina Espírita, por sua vez, veio com o objetivo de reforçar o que Jesus disse, esclarecer o que não foi claramente entendido pela humanidade e, dessa maneira, consolar todas as nossas aflições. Porque era óbvio que, tentando praticar o bem, mas ainda tão imaturos, nós nos sentiríamos perdidos em algum momento. A doutrina espírita vem trazer essa luz para nos esclarecer. 

No que diz respeito à Caridade, a espiritualidade superior vem nos mostrar que para praticá-la, primeiro devemos plantar em nossos corações o desejo de fazer o bem, ou seja, a beneficência. 

Eles nos dizem que a beneficência nos dará nesse mundo as mais puras e as mais doces alegrias, as alegrias do coração que não são perturbadas nem pelo remorso, nem pela indiferença. 

Mas o que é então a Beneficência? No sentido exato da palavra é “fazer o bem”. Os espíritos superiores nos dizem que a beneficência é esse sentimento que faz com que se olhe o outro com o mesmo olhar que se olha a si mesmo. 

Imagina que bacana se você pudesse se ocupar na sua vida só em fazer os outros felizes. Não como um palhaço, que muitas vezes debocha dos outros, mas como quem leva a graça para o coração das pessoas. Não há sentimento mais gostoso do que poder ajudar alguém que está em desespero e pela sua ação, aquela pessoa mudar o semblante e se iluminar de esperança, porque estava doente, ou com fome ou passando por algum tipo de necessidade. 

Os Espíritos nos ensinam ainda a beneficência é inesgotável - quanto mais dou, mais recebo e, assim, mais os outros tem capacidade de dar e receber. A recompensa imediata de fazer o bem é a paz do coração; como dizem, a caridade é o remédio contra as aflições da vida. 

Mas se é tão bom assim para nós também fazer o bem, praticar a caridade, porque é que a gente não faz mais pelos outros? Seria pela falta de exemplos? Madre Teresa de Calcutá, dedicou sua vida inteira aos enfermos e aos pobres; Chico Xavier com sua mediunidade publicou mais 450 livros psicografados e ajudou a fazer do Brasil a maior nação espírita do mundo e nunca ganhou nem cobrou nada por isso. Nem precisamos ir longe, é só olhar para nossa sociedade e vamos ver incontáveis exemplos de atos de caridade. 

Como dizem os Espíritos, nós todos nos sentimos empolgados ao ouvir uma história de uma obra verdadeiramente caridosa. Se não a gente não ficasse preocupado com em ganhar os créditos materiais por uma boa ação, estaríamos sempre no caminho do progresso espiritual. Exemplos não faltam; o que falta é a boa vontade, que é rara. 

E como é que a gente faze então a caridade? Muitos ainda confundem esmola com caridade. Os Espíritos nos dizem que a esmola às vezes é útil porque alivia os pobres; mas é quase sempre humilhante para aquele que a faz e para aquele que a recebe. A caridade, ao contrário, faz o benfeitor e o beneficiado se conectarem e se reconhecerem como irmãos. 

Vamos tentar separar o que seria a "falsa caridade" e a "verdadeira caridade". A falsa caridade é o egoísmo, o orgulho e a vaidade disfarçados de boas ações. Ela humilha o outro quando diz " eu estou te ajudando, porque a mim está sobrando", ou "... a mim não falta nada"; "eu te ajudo, porque sou melhor que você". E este benfeitor adora que os outros vejam o que ela está fazendo: canta aos quatro ventos que sempre dá lugar aos idosos, gestantes e deficientes no trem ou ônibus; faz uma boa ação doando comida, roupas, agasalhos e corre no Facebook e Instagram para divulgar e ganhar curtidas... e ainda tenta se iludir dizendo a sim mesmo que faz aquilo para inspirar os outros a fazerem boas ações... como fosse modelo para alguém.

A verdadeira caridade é modesta, ela age ao natural, quase que por instinto de preservação da espécie. É algo que simplesmente impulsiona a fazer o bem, colocando o outro em primeiro lugar.

Entretanto, tem gente ainda hoje, (e isso no mundo inteiro) que pensa assim: “Sou pobre, não posso fazer a caridade”; “eu é que estou passando necessidade, não posso ajudar ninguém”. 

Os nossos amigos espirituais nos explicam que todos podemos dar alguma coisa. Em qualquer classe social que estejamos, temos alguma coisa para compartilhar. O que quer que Deus tenha te dado, aquilo que você tem a mais que os outros, você pode compartilhar... Pode ser dinheiro, pode ser tempo, pode ser talento para música ou para ensinar os outros a fazer alguma coisa. Se você dividir o que tem, seja o que for, já está exercendo um pouco a caridade. 

Ainda, se a pessoa não baixa a guarda do orgulho e realmente considera que não tem nada para dividir com os outros, ainda resta praticar a indulgência, que é uma forma de caridade, e esta pode-se fazer bastante. Ser indulgente é não falar mal dos outros, não fazer fofoca. 

Então, que fique para nossa reflexão, que sempre podemos fazer o bem ao próximo, de uma maneira ou de outra. 

Boa noite!

sexta-feira, 6 de abril de 2018

O ARGUEIRO E A TRAVE NO OLHO

"O sujo e o mal lavado"
Que a paz do Cristo se faça em nossos corações. 

Bem, meus amigos, hoje o tema de nosso estudo é O ARGUEIRO E A TRAVE NO OLHO, contido no Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo X: Bem Aventurados aqueles que são Misericordiosos - itens 9 e 10 (para quem quiser estudar mais depois).

O texto, em si, é curto - são apenas 2 parágrafos - mas o conteúdo se desdobra e poderíamos discuti-lo por horas a fio. Tento aqui ser o mais sucinto possível para nos enquadrarmos no principal para esta breve reflexão. 

Sempre gosto de lembrar que, para nós entendermos a mensagem contida nas Bem-Aventuranças, precisamos entender primeiro, o que são. 

Jesus Cristo nos ensinou através de seu exemplo, através das parábolas e, de maneira mais direta, através da mensagem do sermão da montanha o seu evangelho. Um código de conduta para construirmos o reino dos céus aqui na Terra e encontrarmos a felicidade ainda aqui no plano físico. 

Isso significa que, em nossa existência imortal, chegaremos num dia que não será mais doloroso reencarnarmos, porque este mundo físico será tão maravilhoso quanto nossa pátria espiritual. Construir esse reino dos céus é um compromisso que cada um deve assumir. 

No evangelho do apóstolo Matheus, cap. V, v. 7, Jesus diz: “Bem-Aventurados aqueles que são Misericordiosos, porque eles próprios obterão misericórdia”. Misericórdia, significa compaixão, piedade, portanto, é um sentimento e ato de caridade para com a infelicidade do próximo. 

Já no Capítulo VII do Evangelho de São Matheus: “Por que vês tu, pois, o argueiro no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu olho? Ou como dizes a teu irmão: Deixa-me tirar-te do teu olho o argueiro, quando tens no teu uma trave? Hipócrita, tira primeira a trave do teu olho, e então verás como hás de tirar o argueiro do olho de teu irmão.” 

Talvez alguns não saibam o que significa “argueiro”, pois não é mais uma palavra comum no nosso vocabulário. “Argueiro” é “palha” ou “cisco”. 

Então o que Jesus quis dizer é o seguinte: “Por que é você fica reparando, se intrometendo, no "cisco" que está no olho de outra pessoa, se você não percebe que você tem um muito maior no seu olho. Tira primeiro o que tá no teu olho, essa “trave”, antes de querer ajudar o outro a tirar o cisco do olho dele. 

No dia a dia a gente nem percebe, mas fazemos isso com frequência. “Olha fulano, você está engordando muito, quem sabe faz uma dieta”... como se o outro não tivesse espelho, como se fosse um problema simples... e o pior é que a pessoa que está sugerindo a dieta, muitas vezes, não é exemplo de saúde. 

Há casos também em que o sujeito tem, visivelmente, distúrbios mentais (não os admite) e ainda quer aconselhar os outros a procurar um psicólogo / psiquiatra... 

Entre tantas coisas: "você precisa emagrecer", "precisa fazer exercícios", "deveria se vestir melhor", "Acho que tinha que ler mais". E porque é que a gente faz isso? Será porque realmente nos importamos com os outros, ou queremos apenas parecer que somos lindos, maravilhosos, caridosos? 

Os Espíritos superiores vem nos mostrar o que Jesus quis nos dizer com essa mensagem. Que um dos maiores defeitos da humanidade é ver o mal nos outros antes de ver o mal que está em nós. 

Para julgarmos a nós mesmos, seria preciso se ver num espelho ou, de alguma forma, nos transportarmos para fora de nós mesmos e nos olharmos como se fosse outra pessoa. 

Aqui é que mora a grande questão: O que eu pensaria se visse alguém fazendo o que eu faço? Imagina que tem alguém alguém te filmando 24 horas por dia (pior que Big Brother), você não tem privacidade nem dos teus pensamentos, nem no banheiro. E aí alguém te mostra esse vídeo. Você teria orgulho de tudo que faz e pensa, ou sentiria vergonha? 

A Espiritualidade superior nos esclarece que é justamente o nosso orgulho que nos faz dissimular, disfarçar, os próprios defeitos, morais e físicos. 

Jesus nos chamou de hipócritas, porquê? Não é só pelo fato de vermos o defeito dos outros, antes do nosso. É também pelos momentos que queremos nos mostrar “caridosos”, ajudando o próximo, ressaltando os seus defeitos. Isso é um contrassenso... 

A verdadeira caridade é modesta, simples e indulgente. A hipocrisia reside no fato de que uma pessoa que se acha tão orgulhosa de ser maravilhosa e benevolente, jamais conseguiria exaltar as qualidades do próximo, pois isso tiraria o seu brilho. 

O verdadeiro ato de caridade nesses casos é a prática da indulgência. Indulgência é não apontar os defeitos dos outros. Se for necessário para um bem maior, procura minimizar os defeitos e sempre procura, primeiro, tratar com aquele irmão de suas imperfeições em particular, nunca na frente dos outros, sem humilhação. 

Imagina que tu tens um amigo que passou a semana inteira trabalhando muito. Ele chega em casa, joga os sapatos para qualquer lugar, camisa para um lado, calça para o outro, come qualquer coisa rápido, deixa o prato na pia, toma banho e joga toalha no chão e assim vai a semana toda. No fim de semana, quando ele finalmente tem tempo para arrumar a casa, ao invés, ele aparece na tua casa dizendo que chegou para te ajudar a arrumar a tua casa. Vocês voltam para dentro de casa e tu vês que a tua casa está tão ou mais bagunçada que a dele. O que você sentiria nesse momento? 

“Perdoa para ser perdoado”; “Não julgueis para não serdes julgado”; “Reconcilia-te com teus irmãos”. Todas essas mensagens do Cristo são para nos lembrar de como sermos misericordiosos. Devemos limpar a nossa consciência primeiro, antes de querermos ajudar os outros, pois quando limparmos o orgulho do nosso coração, faremos a verdadeira caridade e estaremos no caminho de construir a felicidade em conjunto. 

Que fique para nossa reflexão. 

Paz a todos.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

HOMEM DE PRETO

Hoje um colega me perguntou: "Por que você está de preto? Estava em um velório"?
Imediatamente lembrei da música "Homem de Preto", de Johnny Cash... uma letra sensível que mostra o quanto somos responsáveis uns pelos outros e que, se a felicidade não é deste mundo, é porque não há motivos para sermos plenamente felizes enquanto tivermos tantos irmãos em sofrimento. Escute a música e leia, ao menos, a tradução abaixo, para entender o que estou dizendo.


Bom, você imagina por que sempre me visto de preto,
Por que nunca vê cores brilhantes nas minhas costas,
E por que minha aparência parece ter um tom sombrio.
Bom, existe uma razão para as coisas que eu visto...

Eu visto o preto pelo pobre e oprimido,
Vivendo no lado faminto e sem esperança da cidade,
Eu o visto pelo preso que há muito tempo já pagou pelo seu crime,
Mas está lá porque ele é uma vítima dos tempos.

Eu visto o preto por aqueles que nunca leram,
Ou escutaram as palavras que Jesus pronunciou,
Sobre a estrada para a felicidade através do amor e da caridade,
Por que você pensaria que Ele está falando diretamente para você e eu?

Bom, nós estamos indo muito bem, eu suponho,
Na nossa fileira de carros reluzentes e roupas da moda,
Mas, então, somos lembrados daqueles que são excluídos,
Na frente, tem que existir um homem de preto.

Eu visto isto pelo velho doente e solitário.
Pelos descuidados, que se tornaram frios
por causa de uma péssima experiência
Eu visto preto em luto pelas vidas que poderiam existir,
A cada semana perdemos cem bons homens jovens

E, eu visto isto pelos milhares que morreram,
Acreditando que o Senhor estava do lado deles,
Eu visto pelos outros milhares que morreram,
Acreditando que todos nós estávamos do lado deles.

Bom, existem coisas que nunca serão certas, eu sei,
E coisas que precisam de mudanças em qualquer lugar que você vá,
Mas, até nós começarmos a nos mexer para endireitarmos algumas coisas,
Você nunca me verá usando um terno branco.

Ah, eu adoraria vestir um arco-íris todos os dias,
E dizer para o mundo que tudo está OK,
Mas tentarei retirar um pouco da escuridão das minhas costas.
Até as coisas serem brilhantes, eu sou o Homem de Preto.

- Johnny Cash


terça-feira, 30 de outubro de 2012

Fora da Caridade Não Há Salvação

"Certa vez, um homem vigoroso e bem arrumado andava por uma rua de pedras quando um senhor, já de certa idade, descalço, vinha no caminho contrário e lhe pediu sapatos. O senhor idoso lhe explicou que sentia muita dor nos pés por andar naquela estrada pedregosa. O homem lhe desejou boa sorte, ignorando seu pedido e seguiu seu caminho.

"Outro homem passava pelo mesmo caminho e para este também pediu sapatos. Este homem fitou para os pés machucados daquele senhor, apiedou-se e pediu para ele esperar. Voltou em seguida com um par de sapatos velhos e disse: - tome, estes não me fazem falta. E seguiu seu caminho.

"O velho colocou os sapatos, contente porque não sentiria mais dor. No seu trajeto, porém, viu um homem até mais jovem, mas descalço. Antes que o rapaz tivesse qualquer reação, ele lhe disse: Jovem, toma estes sapatos, o teu caminho é mais longo e vais precisar mais do que eu."

Ser amigável, é repartir o que você tem ou dar algo que não lhe fará falta para alguém que você gosta.
Ser solidário é distribuir o que você tem sobrando com alguém desconhecido.
Ser caridoso é dar de você, o que pode lhe fazer falta para alguém que precise mais e pudesse até lhe fazer algum mal.

Na parábola acima, o primeiro homem foi apenas amável, desejando-lhe sorte, o segundo foi solidário. Mas caridoso, foi somente o velho, pois ele já havia tido a experiência da dor e desejou a um desconhecido (que poderia até lhe tentar roubar os sapatos) que não passasse pela mesma situação.

Amar nossos amigos é fácil. O mérito está em ser melhor para os nossos inimigos. É fora da Caridade que não há salvação. A frase do Cristo ensina que não basta não fazer o mal. Para evoluir moralmente é preciso, ainda, buscar fazer o bem.

Pensemos nisso.

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